terça-feira, 27 de Setembro de 2011

VILA DE BARBA: SANTA COMBA DÃO


Vila de Barba fica na Freguesia do Couto do Mosteiro, Concelho de Santa Comba Dão.
LATITUDE: 40.4166667 LONGITUDE: -8.1500000 ALTITUDE: 244 metros


"Com o Provincial Visigótico, datado da segunda metade do século VII, houve uma nova reorganização episcopal estabelecendo-se uma divisão das dioceses por limites. Interessa-nos a definição dos limites das dioceses de Conimbria, «Conimbria teneat de Naba usque Borga, de Torrente usque Lora», e Viseo, «Viseo teneat de Borga usque Sortam, de Bonella usque Ventosam», pois segundo a interpretação que Almeida Fernandes faz dos limites descritos, a área geográfica anteriormente definida é abrangida por estas duas dioceses, sendo que Borga é um ponto comum a ambas, tendo sido identificada pelo mesmo na actual Vila de Barba, na freguesia do Couto do Mosteiro, concelho de Santa Comba Dão (Fernandes, 1997, p. 121)."

Até provas em contrário não é em Vila de Barba a Borga da divisão efectuada por Wamba; não foram encontrados qualquer vestígios de uma civilização antiga.
Encontramos vestígios no lugar do Couto do Mosteiro o que indicia ser neste local a Borga que nos fala Almeida Fernandes.

Vem referenciada no Dicionário Corográfico de 1906.

Vila de Barba foi para mim uma grande desilusão: está praticamente toda descaracterizada, com excepção de uma casa brasonada que não fotografei, pois está dentro de uma propriedade privada. Poucos são os motivos antigos que restam intactos ou em ruínas.
Para aumentar a minha desilusão está a casa do Doutor César Anjo, na rua com o mesmo nome: Uma vergonha para quem autorizou a adulteração da casa tradicional e para quem deixou chegar a casa a este estado ruinoso. Até uns caixotes servem para aumentar a vergonha. Valha-nos os dois painéis de azulejos que ainda se mantém de pé.
Foi-me vedada a inclusão de fotografias por "alguém" que pretenderá manter escondida esta vergonha aos olhos do mundo.
Fotos podem não autorizar a sua publicação, mas a minha denúncia está aqui e, esta, nada nem ninguém a pode impedir. Não pactuo com atentados ao património.




Na toponímia:  Lavegada, que indicia o desbravamento de árvores e matos para o cultivo da terra.
Conhecida como a pedra da Moira, esta situada na Lavegada.
Lage transformada em eira e respectiva casa, situada na Lavegada.
Noutros tempos, este local cobria-se de milho.
Outra panorâmica das lages ou eiras.

Hoje as lages estão cobertas de musgo.
Telha da fábrica: Santa Comba Dão Pinheiro D`Azere / Ceramica do Dão, Limitada
Casa da eira.
Lá bem no alto, esta isolada.






Parte ainda visível da antiga estrada romana.
Esta estrada romana vinha de Coimbra:
Passava por Eiras, Botão, Monte Redondo, Alagoa, Carvalho, Cercosa (onde cruza com a via Anadia-Bobadela), Marmeleira, Cortegaça até Vale de Açores, Mortágua, Tourigo e Guardão, ponte do rio Criz, Couto do Mosteiro, S. Joaninho,Tondela, Viseu.



Mais um pormenor da estrada romana: note-se que predomina o mármore rosa.


A quase totalidade da estrada romana ainda visível.


Aqui a calçada  foi coberta com alcatrão!? Para servir quem?



Esta casa caiu em ruínas por aluimento, devido ao facto de por baixo passar uma mina de água - informação recolhida no local.


Parte lateral traseira da casa acima mostrada.


Mesmo telhado da casa em ruínas: esta parte do telhado é mais antiga, apresenta a telha canudo.


Ainda não tinha visto este tipo de telha (lado esquerdo)parecida com as tégulas romanas. Pelas características é de fabrico industrial.



Casas adulteradas: nesta aldeia também se usou a parede em tabique no andar superior.
Julgo ser um acrescento posterior à casa em pedra. Não posso afirmar que a construção seja em duas fazes, mas tudo me leva a pensar que sim.


Casa de Eira.


Uma velha casa: rara nesta aldeia.


Outra perspectiva da velha casa. Onde está a "janela" foi outrora a porta de entrada, sendo suprimidas as escadas, passou para a lateral, posteriormente aberta.


Casa com adulterações, note-se a inclusão de janelas em madeira.


Ruínas: note-se o "fogão" em pedra lavrada.


Ermida com adulterações.


Mais um tipo de dobradiça, esta, nesta aldeia. Devo relembrar que Vila de Barba é um lugar da freguesia do Couto do Mosteiro, por isto, é uma aldeia como o é Casal de Maria.


Uma dobradiça: Com estas dobradiças ( há de vários tipos) se seguravam as portas, assegurando que se poderiam abrir e fechar.


Mais uma dobradiça de outro modelo.


Outro modelo de dobradiça.


Quadro de electricidade em baquelite e fusíveis em porcelana.
Só a nível de casas em tabique é que encontro ligação eléctrica. Ainda não encontrei uma construção em pedra com ligação eléctrica.
Ou as casas foram abandonadas antes da ligação eléctrica ou era um luxo a que poucos tinham acesso.


Alminhas


Fontanário.


Potes de ferro: eram no passado usados para a cozedura de alimentos nas lareiras.
Agora servem de floreira.


Em 21 de Agosto de 1878,  Joaquim Ferreira Maio; Idade 40; Profissão, Proprietário;  Casado; Residente no Lugar de Vila de Barba; Freguesia do Couto do Mosteiro; Concelho de Santa Comba Dão. Requereu passaporte com  destino ao Império do Brasil.


Em 19 de Julho de 1884, António Francisco; Filho de Ana Maria de Matos; Idade 18; Profissão, Trabalhador;  Solteiro; Residente no Lugar de Vila de Barba; Freguesia do Couto do Mosteiro; Concelho de Santa Comba Dão. Requereu passaporte com destino ao Rio Zaire.


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