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terça-feira, 27 de setembro de 2011

DEVESAS: VILA NOVA DE GAIA

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Falar das Devesas é falar da Cerâmica do Costa, do Visconde das Devesas,  dos comboios, dos Teixeira Lopes...

 Anúncio n.º 13630/2012
Projeto de Decisão relativo à classificação como monumento de
interesse público (MIP) do Complexo da Fábrica de Cerâmica e
de Fundição das Devesas, freguesia de Santa Marinha, concelho
de Vila Nova de Gaia, distrito do Porto, e à fixação da respetiva
zona especial de proteção (ZEP).

Finalmente lembraram-se que existe património nas Devesas.
Pode ser tudo lido aqui: http://dre.pt/pdf2sdip/2012/10/209000000/3550035501.pdf
e, aqui:  http://www.igespar.pt/media/uploads/consultaspublicas/ER2.pdf

Travessa da Fábrica de José Pereira Valente; mede 39x28 centímetros.
Marca STATUE.
José Pereira Valente antes de iniciar a laboração era funcionário de António Almeida da Costa; apadrinhado pelo Costa a quem vendia grande parte da produção, iniciou a laboração em 1884.
Esta travessa com a marca STATUE é das primeiras fabricadas na Fábrica de Louça das Devesas.
Quem quiser saber mais sobre esta, e outras fábricas de cerâmica consulte aqui: http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/3834.pdf

Devesas tem Estação de Correio e distribuidor SMD 20098036.
Este distribuidor foi desactivado. Ver aqui:  http://fringosa.blogspot.pt/2014/05/os-correios-e-as-eleicoes-europeias-2014.html

 Agora tem um distribuidor ePost ST00000131.
Juntamos uma raridade filatélica; Etiqueta impressa pelo distribuidor SMD, que deveria estar desligado, desde o dia 4 de maio de 2014.


Pinho Leal, Portugal Antigo e Moderno: O local onde se edificou a Estação de Caminho de Ferro, era um pinhal chamado de D. Leonor, propriedade de António Joaquim Borges de Castro [Visconde das Devesas]. Todas as casas que posteriormente se edificaram nas redondezas da Estação, inaugurada em 1862, lhe eram foreiras.

António Joaquim Borges de Castro natural da freguesia de Milheirós de Poiares, concelho de Santa Maria da Feira, onde nasceu a 03.03.1814, e viria a falecer na sua  Quinta das Devesas, Vila Nova de Gaia a 03.10.1884. Foi casado com Mariana Vitória Pinto, desta união matrimonial não ficaram descendentes.

António Joaquim Borges de Castro foi por quatro vezes presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia:
02.01.1856 a 02.01.1858;
03.01.1870 a 02.01.1872;
02.01.1872 a 02.01.1874;
02.01.1874 a 02.01.1876.

Em 14.08.1879 o Rei D Luís concede-lhe o titulo de Visconde das Devesas, e em 05.07.1881 foi-lhe outorgado o Foro de Fidalgo Cavaleiro da Casa Real.

Estas pequenas notas sobre o Visconde das Devesas foram consultadas em: Arquivo Municipal Sophia de Mello Breyner; GeneAll, e DigitArq.



CATALOGO DA FABRICA CERÂMICA E DE FUNDIÇÃO DAS DEVESAS

ESTATUTOS DA COMPANHIA CERAMICA DAS DEVEZAS


Paço da Ajuda, 8 de maio de 1866. Autoriza a câmara de Gaia:« Construção de uma fonte publica no sitio das Devesas, próxima da estação do caminho de ferro.
Reconstrução da calçada das Freiras, desde o sitio da Praia até à nova estrada da estação das Devesas, pelo sistema de empedramento de lajedo, como agora se acha.
Reconstrução e melhoramento da estrada que vai do lugar da Bandeira ou do Cabo Mor, pelo largo da Barrosa até à estação das Devesas, seguindo depois ao longo da via férrea pelo caminho do Prado em direcção ao sitio da Ponte do caminho da Madalena, e de aqui ao sitio do Acampamento no lugar do Verdinho, dirigindo-se de aí ao lugar de Lavadores, freguesia de Santo André de Canidelo, e deitando um ramal ligando o sitio do Acampamento com a estrada do Candal no sitio das Frutuosas: obra a construir pelo sistema de Mac-adam.»


TÚNEL NUNCA USADO E PONTE DA ESTRADA DA BANDEIRA
As informações que à muitos anos disponho, é de que, este túnel, foi aproveitado pela Real Vinícola para cave dos seus vinhos.
Com a aprovação do novo traçado (ponte de Maria Pia) foi outro túnel, à esquerda deste construído. Estando hoje também desactivado, devido à construção de um outro que é o que hoje serve a linha da ponte S. João.

«Um dos três principais túneis do caminho de ferro do norte, o da serra do Pilar é o mais pequeno. Tem de extensão 425m; de altura sobre o balastro 6m; e de largura 8m. Atravessa a serra de oeste para leste.
Gastaram-se dois anos e cinco meses na perfuração da montanha e na construção do túnel, pois que principiaram os trabalhos em 1 de Julho de 1861, e concluíram-se em 1 de Dezembro de 1863. Em metade daquela extensão, pouco mais ou menos, encontrou-se rocha granítica, em partes mais rija do que noutras. Predominava, em geral, o granito composto de grandes elementos; porém, numa extensão de 20 a 30 metros, era a rocha formada de granito porfiróide azulado.
Está situado este túnel na margem esquerda do Douro, entre a estação das Devesas, que fica sobranceira a Vila Nova de Gaia, e é o termo provisório do caminho de ferro do norte, e o sitio chamado a Pedra Salgada, onde se vai construir a ponte sobre o Douro, que deve dar passagem ao dito caminho para a margem direita do rio, no seu seguimento para a cidade do Porto.
Desde a saída do túnel até ao lugar destinado para a ponte tem a linha férrea a extensão de 2420 metros. Acham-se muito adiantados, ou quase prontos, os aterros e assentamentos dos carris em toda esta extensão. O risco da ponte, feito pelo Sr. Jaubert, engenheiro chefe da construção, é esbelto e grandioso; produz um belo efeito, e devera ser uma obra monumental, porém ainda está dependente da aprovação do governo.
Na margem direita do Douro, desde a ponte até à estação principal, na cidade do Porto, percorrerá o caminho de ferro uma extensão igual, ou quase igual, à que medeia entre o túnel da serra do Pilar e a Pedra Salgada.
Saindo da estação das Devesas para o túnel da serra do Pilar, encontra-se, a pouca distancia, uma obra de arte importante. É uma alta ponte de cantaria, chamada ponte de Vila Nova, com cinco arcos, de construção elegante e solida, sobre a qual passa a via férrea. Esta obra acha-se concluída, faltando-lhe só o balastro.
Está lançada esta ponte sobre um vale ou quebrada entre duas colinas, situadas a leste do monte do Candal, e a oeste da serra do Pilar. Por conseguinte, logo adiante daquela ponte começa um longo desaterro, por onde segue a via férrea, quase sempre em bastante profundidade, até outra ponte mais pequena, donde continua, também entre altas trincheiras, até à entrada do túnel referido. Perto desta entrada, a uns 30 ou 40 metros de distancia dela, atravessa a via férrea a estrada da Bandeira sobre uma ponte com um grande e largo arco, que toma toda a largura da via, e dois meios arcos que se vão embeber nas altas trincheiras da mesma via. A ponte é de cantaria, e tem por guardas gradaria de ferro. Aquela estrada, ampla, bem traçada, e de lindas vistas, que conduz do alto da Bandeira até à ponte pênsil sobre o Douro, foi aberta e construída pelo governo, em 1861, para o serviço da mala-posta entre a capital e o Porto.»
MELHORAMENTOS MATERIAIS DO PAÍS EM 1863
«Estão cada vez mais adiantadas as obras de construção dos caminhos de ferro de Lisboa ao Porto e de Lisboa a Badajoz.
Em Junho as locomotivas devem percorrer dentro de poucas horas, as secções entre Coimbra e Vila Nova de Gaia.
A abertura ao publico da secção entre as Devesas e Aveiro, terá lugar logo que as estradas de comunicação com as respectivas estações estejam prontas.»

Notícia sobre o Elevador de Gaia; calçada das Freiras.



Embora atulhado o arco continua a ser visível, falta sim uma parte que teria sido atulhado pela firma de vinho Borges, mas isso é assunto a ser tratado por quem de direito, pois agora que estão a demolir as instalações da dita firma, seria uma boa obra o desaterro dos arcos na sua totalidade.


O lado direito da ponte ainda tem o resguardo primitivo em ferro.


Ponte da antiga estrada da Bandeira.


Ponte de Vila Nova com os seus cinco arcos.


Bonita obra de alvenaria na Quebrada das Devesas.
Área a necessitar de limpeza.


Regato na Quebrada.


Calçada da Quebrada.
Por falta de dados parto para a suposição que esta calçada foi construída para o transporte da pedra para a Ponte de Vila Nova.


Pormenor da calçada no sentido descendente.


Pormenor da calçada no sentido ascendente.


Panorâmica da Quebrada.


Chaminés da fabrica do Costa no quarteirão sul.


Casas do bairro operário do Costa.


Frontaria de uma casa do bairro operário: modelo característico da fabrica do Costa.


Frontaria, estilo Fabrica do Costa.


Asilo e Creche do Costa.


Outra perspectiva da frontaria do Asilo e Creche.


Com alguns "assaltos" aos azulejos, felizmente mantém a originalidade na quase totalidade esta casa ao estilo das fachadas do Costa das Devesas.


Casa onde nasceu o escultor António Teixeira Lopes.
Note-se a humildade da casa, isto antes da "invasão" dos Chalets franceses dos finais do século XIX.


Lápide na casa das Devesas.


Fachada estilo Costa das Devesas.


Esquina sudoeste do quarteirão norte da fabrica do Costa.


Frontaria noroeste do quarteirão sul da fabrica do Costa: o interior deste complexo é um matagal infestado de ratazanas. Não pretendo retirar o alimento aos gatos que por sinal, são enormes, mas - limpeza é precisa com urgência.


Frontaria principal do complexo industrial da fabrica do Costa das Devesas.


Pormenor da frontaria sudoeste do quarteirão norte.


Portão na frontaria da fabrica do Costa.


Na parte superior estão as datas da fundação (1865) e da reforma(1900).


Ruínas do quarteirão sul: estão a conseguir o que desejavam - a ruína total de todo o complexo industrial da Fabrica do Costa das Devesas.


Entrada principal do quarteirão Norte: os especialistas da feira da Vandoma já por aqui passaram, nota-se pela técnica apurada na remoção dos azulejos.


Muro mostruário no quarteirão Sul: note-se a beleza no traço Arte Nova.
A maioria não faz parte do catálogo de 1910, o único que conheço.












À direita o Costa no atelier de estatuária.


Atelier de estatuária.


Imagem do Costa à esquerda.


Parede mostruário no quarteirão sul: há aqui dois painéis tipo fotografia que seria um crime de lesa património que se deixassem perder. Esta parede (já que todo o complexo sul me parece perdido) deveria ser considerada património nacional e devidamente protegida.


Extremo noroeste do quarteirão Norte.


O quarteirão sul não foi todo ocupado pelo complexo industrial das Devesas: a zona noroeste manteve-se independente.


Lê-se NOVO EXTERNATO: na parte Oeste do quarteirão Norte.


Mostruário de estátuas no jardim do externato.


Ainda se pode ler na totalidade: FABRICA CERÂMICA E DE FUNDIÇÃO DAS DEVEZAS...


...COM SUCURSAL NA PAMPILHOSA


Portão no lado Norte do quarteirão Norte: portão de expedição.




Lado Este do quarteirão Norte.


Lado Este do quarteirão Norte.


Lado Nordeste do quarteirão Norte.


Ruínas do complexo Sul, Rua do Bairro operário: ao fundo o belo palacete do Costa de acesso reservado, é propriedade privada tendo servido de creche.


Antigo marco rodoviário.


Fachada de azulejos arte nova nº 14 do catálogo de 1910.
O preço de 35 mil réis era para 1000 azulejos.


Edifício do Sindicato dos Tanoeiros.


Bairro de Santa Helena.


Miradouro estilo Costa: Chamo estilo Costa, pois os materiais empregues são oriundos da Fábrica do Costa.


Já passaram vários anos e tudo continua na mesma!...


Fachada datada de 1894: Quer os senhores de Lisboa, gostem ou não, este tipo de construção é único, sendo de lesa pátria não se proceder ao seu completo restauro.
Até quando...............


Fachada tipo Costa.


Bairro D. Antónia 1957. No passado os bairros eram um "condomínio" fechado. Ainda existem vários habitados que teimam em resistir.


Fachada com varanda em pedra: exemplar raro.
Notasse o trabalho de ferreiro estilo Arte Nova.


Esta bela fachada esta a precisar de restauro urgente. Pobre país o meu em que só se pensa em mamarrachos de aço tipo "legos".


Dá para ver que o edifício necessita de algum restauro: que se passa senhores donatários da Casa do Costa!... Já foi classificado pelo IPPAR?

Este palacete foi construído nos primeiros anos do séc. XX, para residência do Costa. Morreu viúvo e sem filhos, deixando os seus bens ao Asilo António de Almeida Costa, e à Creche Emília de Jesus Costa (sua esposa).Nos anos 30 de Século XX a Creche e o Asilo passaram para a Misericórdia de Vila Nova de Gaia, que passa a gerir toda a fortuna do Costa, incluindo a sua antiga residência. Desde então, a Creche Emília de Jesus Costa tem funcionado neste palacete. No princípio dos anos 90 do século passado, parte do jardim foi sacrificado para a construção do Pavilhão Joaquim Oliveira Lopes (Complexo Social Almeida Costa).


Parte frontal da Fabrica Cerâmica das Devesas.


O velho Costa.


Bairro da CP.

INQUÉRITO INDUSTRIAL DE 1881
VISITA ÀS FÁBRICAS DO DISTRICTO ADMINISTRATIVO DO PORTO.

Nestas quatro páginas encontra-mos uma perspectiva real da capacidade do Costa como industrial no ramo da cerâmica.






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