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terça-feira, 27 de setembro de 2011

CASAL DE MARIA: SANTA COMBA DÃO

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Casal de Maria fica na Freguesia do Couto do Mosteiro, Concelho de Santa Comba Dão.
Latitude: 40.4333333 Longitude: -8.15 Altitude: 249 metros.

É uma aldeia milenar como se prova pelos fragmentos de tégulas que existem. A inclusão de um memorial é uma necessidade imperiosa, que as autoridades locais tem em falta.
Não existem escritos que o provem, mas a arqueologia é a chave que abre a porta da história. Não entendemos a razão de só os manuscritos serem prova de antiguidade para que se dê o titulo de milenar.
Não podemos deixar em claro o desprezo a que tem sido votado todo o conselho de Santa Comba Dão pelos vários autarcas, que ao longo dos anos nada tem feito para a preservação do património do conselho. Nem a Lei nº 107/2001, de 8 de Setembro que estipula claramente, no ponto 3 do Artigo 3º que o conhecimento, estudo, protecção, valorização e divulgação do património cultural constituem um dever do Estado, das Regiões autónomas e das Autarquias locais.

O topónimo CASAL tem no nosso país vários nomes, conforme a época e região:
1º - Villae pequenos povoados rurais agrícolas, que podiam abrigar uma ou dezenas de casas.
2º - Villa um latifúndio, com casa de campo e instalações agrícolas. Ainda hoje se vê casas com a denominação de "vila".
3º - populi eram vilarejos indígenas rústicos e de pequenas dimensões.
4º - Mansio ou mansiones, pequeno povoamento rural, menor que uma villae.
5º - Vici era um povoado não romanizado localizado em áreas remotas.
6º - Oppida rusticus eram antigos povoamentos indígenas.
7º - casa é uma palavra latina, tendo o mesmo sentido de cabana.
8º - mais tarde ampliou-se para fazenda ou quinta que pertencia à casa.
9º - casalis significava « pertencente à casa ».
10º - na idade média encontramos casale e casare.
11º - casal e casar. Nestes dois casos significava «propriedade campestre, com casa» e mais particularmente «fracção de uma villa rústica».
12º - o topónimo casal aparece muito em documentos medievais do Minho e da Beira, onde muitos dos casais são reguengos: villas divididas em casais.
13º - existe documentos mais antigos: Kasale em 955. Casale em 982. Casal em 1077.
14º - nos tempos modernos casal tem outros significados: casa de campo, lugarejo de poucas casas.
15º - casal pode ter uma ou mais casas, juntas ou separadas. Com o decorrer dos anos e o aumento de casas, generalizou-se o nome de "lugar".
16º - o nome de casal no plural casais não significas muitas casas, pode ter uma, duas ou três.
17º- em algumas regiões é comum chamar-se a casal «lugarejo»
18º - no Alentejo casal tem o significado de «monte» e no Algave de «sitio».

Em 1891, Silva Lopes, no seu "Diccionario postal" mostra-nos a distribuição geográfica do topónimo casal. No que respeita à Beira, e em especial ao distrito de Viseu o de maior número:
1º - casal = 40 aldeias.
2º - casal velho = 0
3º - casal novo = 1
4º - casal com outro epíteto = 36
5º - casais = 5
6º - casais Velhos = 0
7º - casais Novos = 0
8º - casais com outro epíteto = 0
9º - casalinho = 2
10º - casalinhos = 0
11º - casainho = 4
12º - casainhos = 1
13º - casalão = 0
14º - casalões = 0

Total de topónimos relativos a casal 89.

Lugares próximos de Casal Maria:
// 1.9km a Vila de Barba // 1.4km a Pedraires // 2.3km a Rio Milheiro // 2.3km a Real // 2.8km a Vila Pouca // 3.7km a Colmeosa // 3.4km a Gestosa // 3.4km a São Joaninho // 4.0km a Santa Comba Dão // 4.7km a Breda // 4.7km a Alvarim // 5.6km a Borralhal // 4.2km a Chão Miudo // 4.2km a Treixedo // 5.6km a Coval // 5.7km a Vale // 4.6km a Felgueira // 5.7km a Vimieiro // 5.7km a Óvoa // 6.2km a Tourigo // 6.2km a Dardavaz // 6.2km a Rojão Grande // 7.5km a Falgueroso do Maio // 7.5km a Cagido // 7.5km a Casal das Lameiras // 5.9km a Vila Nova // 5.9km a Vila Gozendo // 5.9km a Castelejo // 7.5km a Arnosa [Estas distâncias são em linha recta.]

Por esta aldeia passaram romanos, suevos, visigodos e mouros. Sendo escassas as fontes históricas relativas a esta aldeia, abundam as que se referem a esta região.

O Cadastro da população do Reino (1527) diz-nos que casall de maria  tinha 12 moradores; isto é, 12 fogos.

Segundo o Dicionário Geográfico de 1751, tinha 32 moradores e uma Ermida a S. Martinho.

Em 1911 tinha 40 fogos, e 170 residentes.

Em 1940 tinha 52 fogos, e 191 residentes.

Em 1960 tinha 60 fogos, e 228 residentes.

Em 1970 tinha 52 fogos, e 183 residentes.

Em 1991 tinha 23 fogos, e 35 residentes.

Em 1960 o trânsito rodoviário para Lisboa, fazia-se, desde 1856 pela Estrada da Moira, em direcção à Mealhada. Em 1763 era então outra a trajectória da estrada real, ou seja o caminho seguido pela comitiva real quando viajava de Viseu para Lisboa passando por Coimbra ou vice-versa.

Para os que conhecem a região os pontos de pas­sagem dessa velha estrada, decerto de traçado romano, pois à beira dela foram encontrados túmulos da era romana.

De Coimbra vinha a Eiras, Botão, Galhano, Monte Redondo, Ponte da Mata, Santo António do Cântaro, Vale das Éguas, Freirigo, Benfeita, Cortegaça, Vale de Açores, Barril, Cris, Colmeosa, Casal de Maria, São Joaninho, Tondela, Sabugosa, Faíl, Viseu.


Não encontramos referências históricas, pelos Dicionários Corográficos do século XIX consultados. Ao contrário da vizinha aldeia de Casal de Vidona, esta sim, assinalada no de 1889.

Há referências genealógicas:
João António, nascido em 1574, nesta aldeia.
Francisco João, nascido em 1604, nesta aldeia.

A 3ª invasão de Portugal pelas tropas napoleónicas, começa em Julho de 1810. A este facto está ligada a aldeia de Casal de Maria, onde as tropas napoleónicas estiveram acampadas em Setembro antes da batalha do Buçaco. Como se pode comprovar pela carta abaixo citada.

Excerto do livro: Journaux des sièges faits ou soutenus par les Français dans la péninsule de 1807 à 1814.


"Rapport de 1'Intendant Gru. Lambert a S. A. le Prince de Wagram et de Neufchatel, Major Général, sur la situation de D’Armée de Portugal. Viseu, le 23 Sept. 1810.

L’Armée de Portugal a fait son mouvement le 15 de ce mois par les défiles de Guarda, Celorico, et Pinhel, regardes toujours comme impraticables pour les voitures. La dernière de ces communications, indiquée comme la seule ou il fut possible de risquer des voitures d'artillerie et de vivres, s'est trouvée la plus longue et la plus mauvaise.

Le quartier générale a couche le 16 a Freixedas, le 17 a Celorico, le 18 Mangualde, le 19 a Viseu, ou il attend encore L’arrivée de 1'artillerie du grand pare et de la réserve.

Les points occupes aujourd'hui par L’armée entre Viseu et Coimbre sont Saint Comba-Dao et Pont de Criz par le 2ms corps; Sabugosa, Tondella, et Casal de Maria par le 6me corps ; Viseu et son rayon par le 8me corps ; la réserve de cavalerie, le grand pare, et tous les e équipages sont a 2 lieues en arrière, mais hors de danger, après avoir causé de véritables inquiétudes et retarde les opérations.

Les routes ne pouvaient être plus détériorées ni plus obstruées. Les ponts de la Coa, du Mondégo, et de leurs affluents étaient intacts; ce qui est d'une grande importance dans un pays ou les rivières sont profondément encaissées, et ou le moindre ruisseau devient au premier orage un torrent formidable.
"



As alminhas que se encontram defronte da capela, está datada 1588. A razão da não inclusão nos Dicionários do século XIX é para nós uma incógnita.

Em meados dos anos sessenta do século XX existia em funcionamento:
Um lagar da azeite propriedade do Senhor António Macedo Veiga.
Uma destilação de aguardente vínica propriedade do Senhor Manuel Gomes Rodrigues.
Era construtor civil o Senhor Gilberto Nunes.
Era negociante de cortiça o Senhor José de Almeida Pais; e o Senhor Manuel Ferreira.
Era negociante de madeiras o Senhor Manuel Gomes Rodrigues.
Era vinicultor o Senhor António Macedo Veiga.


In memoriam de António Duarte Madeira, natural de Casal de Vidona, e sua esposa Alzira de Macedo Madeira, natural desta aldeia.


Vista parcial da aldeia: neste campo esteve estacionado parte do 6º Corpo das tropas de Massena. Faz agora 200 anos neste mês de Setembro de 2010.


Parte traseira da mais imponente casa desta aldeia, chamada de "Casa da Eira"



Parte frontal da Casa da Eira.


Parte lateral da Casa da Eira, vista da Rua Principal.



Base de um antigo espigueiro em madeira desaparecido pela acção do tempo: Eira e respectivas casa.
A esta eira se deve o nome da casa.


Escada sulcada num penedo para acesso à eira. Está em frente da Casa da Eira.


No alto de Casal de Maria estão concentradas várias lajes e respectivas casas, umas em ruínas outras adulteradas. A esta concentração se deve o nome da Rua das Lajes.


Pormenor da porta e sua dobradiça de uma casa adulterada: Estas casas serviam e, ainda servem para se guardar o milho.
Caso curioso que prova o aproveitamentos que os antigos habitantes desta aldeia davam à terra, é o facto de as lajes serem penedos que foram aproveitados para servirem de eiras.


Casas de eira em ruínas, uma adulterada.


Telhas canudo no interior de uma casa de eira abandonada.


Pormenor de uma dobradiça em uma casa de eira.


Casa de eira adulterada: ainda em uso a única que vimos.


Pormenor de uma dobradiça numa casa de eira em ruínas.


Uma eira já com outro uso. Mudam os tempos mudam os usos.


Casa de eira adulterada.


Casa de eira adulterada.


Nesta construção foi usado o barro como alvenaria: não é comum o seu uso nesta aldeia.


Casa de eira construída a base de xisto, é a única que conhecemos, quer de habitação ou de eira. Numa aldeia de penedos o uso de xisto é curioso.
Está fora da zona dos penedos, encontra-se mais próxima da área habitada da aldeia.


Lado lateral direito da casa de eira em xisto, notes-se o uso da telha canudo.




Vista parcial da aldeia.


Vista parcial da aldeia.
Neste campo que se avista estiveram acampadas tropas napoleónicas antes da batalha do Buçaco. Pela orografia do terreno desta aldeia, outro lugar não seria possível para acolher milhares de homens. Tudo indica que já nesse tempo esta fosse a maior área de terreno para cultivo, como ainda hoje o é.



Casa com pequena adulteração na zona do telhado.
Já não existe em 2012; no seu lugar há nova construção, felizmente em pedra. Aqui predominou o bom senso, não se optando pelo tijolo, por isto, os meus parabéns aos proprietários.


Construção superior em madeira e barro (tabique), telhado em telha marselha. O uso de paredes em tabique nesta aldeia é raro, pelo que pudemos observar, a maioria das casas é de construção total em pedra rústica ou pedra cortada .


Telha Lusa com aproveitamento de algumas telhas Canudo: adulteração.
Casas vizinhas: construção ou adulteração moderna.


Panorâmica da casa em ruínas.


Vista frontal da casa em ruínas.


Vista frontal da casa em ruínas.


Alpendre da casa em ruínas. Construção desta parede em barro e madeira (tabique). Nesta casa apenas a zona do alpendre é em tabique


Casa em ruínas.


Casa em ruínas, outra perspectiva.


Casa em ruínas: construção em madeira e barro (tabique), lado direito , visto da rua, zona do alpendre. Telhado na totalidade com telha canudo.


Parede em madeira e barro (tabique)


Casa em ruínas: parede em pedra,lado esquerdo visto da rua. Telhado em madeira e telha canudo na totalidade.


Mesma casa de cima noutra perspectiva.




Imitação de calçada antiga: segundo informação tem uns 15 anos. Desprezada pela população da aldeia. Alegando que dá mau "caminho".
Tem o meu apoio, os responsáveis pela obra.



Casa não adulterada: lado esquerdo telha canudo, lado direito telha marselha.


Exterior do Forno que agora dizem "comunitário". Foi outrora particular como outros da região, agora adquirido pela autarquia, foi baptizado de "comunitário" como se alguém dele fizesse uso.


Interior do Forno "Comunitário": construção em barro e fragmentos de telha canudo e outros -- usado como papeleira - tenham vergonha e respeitem a vossa terra.


Exterior do forno "comunitário": restauro da área envolvente após ser adquirido pela autarquia..


Forno "comunitário"


Cúpula do forno "comunitário"


Espaço interior da casa do forno "comunitário"


Casa com pequenas alterações, mantém a construção em pedra e o telhado em telha canudo: casas vizinhas adulteradas ou construção moderna


Casa com pequenas alterações


Casa em ruínas com adulterações


Casa com adulteração do telhado. Repare-ce no pormenor do uso de uma caleira por cima da porta de entrada.





Fontanário.


Um dos vários fontanários da Aldeia


Miscelânea


Casa em pedra e telha canudo, e empedrado coberto com alcatrão ?!...


Casa com telhado em dois tipos de telha: Canudo e marselha.


Casa semi-abandonada


Fontanário


Casa com telha canudo e marselha. À direita casa adulterada.


Rua da Menina
«Nesta rua viveu uma fidalga (a "Menina") que num dos seus passeios a cavalo deu uma queda, e se lesionou.
Sempre que tinha de se deslocar, era um criado que a transportava ao colo, desta relação nasceu um grande amor.
Deixaram descendência que hoje continua a habitar esta aldeia.»


Casa em ruínas, mamarrachos sobre fundo.


Campo de Milho: área circundante da zona edificada da aldeia.


Parte nova ou adulterada da aldeia.


Dois tipos de construção: à esquerda construção arcaica, à direita construção de época posterior.


Construção arcaica com algumas adulterações.


Casa com adulterações.


Casa em ruínas


Outra perspectiva da mesma casa.

Casa em ruínas.


Casa em ruínas, o tipo de construção mostra-nos que é de época posterior a outras (mais primitivas) pelo tipo de pedra empregue.



Argola para prender cavalos.


Adulteração:  alminhas em coluna, inscrição da era 1588.


Alminhas em coluna com data de 1288. Adulteração moderna. Na parte de baixo onde está a porta de ferro, existiu uma caixa de esmolas. Foi retirada, devido aos roubos efectuados.


Um canto da aldeia com construção moderna ou adulterada.


Antiga cama em ferro.


Serviço de Águas.


Uma Pia em pedra.


Casa adulterada.


Casa em alvenaria com sobreposição de um andar. Construção do século XX ou adulteração de casa antiga.


Uma pia sem uso.


Carro de bois semi-abandonado: que desperdício.


Pote em barro de grande dimensão.


Telha marselha da Sucursal da Fábrica das Devesas de António Almeida da Costa & Companhia. Pampilhosa do Botão: é desta Empresa que aparece pela primeira vez em Portugal a telha marselha, graças ao sócio José Joaquim Teixeira Lopes (pai do escultor António Teixeira Lopes) que em França aprendeu os segredos do seu fabrico.


Telha marselha da Fábrica Cerâmica da Pampilhosa Mourão Teixeira Lopes & Cª.: Nos princípio do século XX funda-se a Fábrica de Cerâmica Mourão Teixeira Lopes, onde se destaca José Joaquim Teixeira Lopes (pai do escultor António Teixeira Lopes), oriundo também de Vila Nova de Gaia e que em França aprendeu os segredos do fabrico da telha marselha, que tanto êxito viria a alcançar no nosso país. Teixeira Lopes começou na Pampilhosa como sócio na unidade de cerâmica "Fábrica Velha" filial da Companhia Cerâmica da Devesas.


Telha marselha: Em 1904 nasce a empresa, Barbosa Coimbra & C.L. Estrela D`Alva, Penacova. Foi seu fundador Dr. Alípio Barbosa Coimbra.


Pormenor de uma dobradiça em casa de eira.


Peles de cobra rateira no interior das ruínas de uma casa de eira: Podendo atingir 2,5 metros é venenosa para ratos e pequenas presas. Em humanos é aconselhável no caso de mordedura dirigirem-se a um hospital.


Sepultura antropomórfica partida pela queda de um pinheiro.


Seguem-se várias fotos do que presumo ser um lagar de azeite: conhecido por alguns como a "pedra cintada" devido aos sulcos gravados nos quatro cantos do penedo. Numa das partes tem uma bica.


Furo não centrado e parte de cima da bica.


Parte da pedra onde está a bica.


Furo não centrado.


Outra perspectiva.


Pormenor da bica.


Pormenor do furo.


Nesta perspectiva vê-se um recorte na pedra com uns 50 centímetros.
Somos de opinião que se tratava de um lagar de azeite e este canto servia para recolher os restos da azeitona já esmagada.
Mais, o facto do furo não estar centrado tem para nós uma razão - um peso em pedra preso a uma vara, e este, estaria suportado por um ferro, que estava inserido no buraco.


Não entendemos a razão deste corte que tudo indica ser feito pelo homem.


Limpamos parte da zona para uma melhor observação do corte.


Limpamos parte do terreno envolvente para uma melhor visibilidade da pedra.
Pela natureza do material envolvente tudo indica que existe um fosso em volta do lagar.


Conhecida como a "pedra cortada": Possivelmente um altar.


Poço "forrado" a pedra.

FONTE DA CORTELHA: REMODELADA
Depois de dezenas de anos soterrada, a Fonte da Cortelha também apelidada de "Fonte dos Trinta Brutos", foi recentemente restaurada pela autarquia, a pedido do povo. Nobre povo este, que não se esquece do legado de seus antanhos.
Pela tradição oral, esta fonte servia para abastecimento (a cântaro) do povo desta aldeia, perde-se na memória a origem desta (acreditamos) milenária fonte.
Servia também, para dar de beber aos bois, que no passado eram a força"motriz" do nosso povo.
Na memória popular - quem bebia dessa fonte tornava-se bruto, daí o apelido Fonte dos Trinta Brutos.
Se existe uma tradição há uma razão. Não sendo credível que quem dessa água bebesse se tornasse bruto (pessoa de incrível força), mas que havia homens que possuíam força descomunal nesta aldeia, isso é verdade.

«Certo dia, estavam dois homens na construção de um muro, quando passa um dos trinta (que aqui nos abstemos de nomear) e lhes disse:
- Dois para carregar uma pedra!
respondem:
- Se a carregares sozinho, damos-te um garrafão de vinho.
Dito e feito, o "bruto" colocou a pedra no seu lugar do muro.
Mas, como os desafiantes não eram homens de palavra, não tendo cumprido com o prometido o "bruto" retira a pedra, erguendo-a lançou-a contra outras, tendo-a partido. O que obrigou os dois a nova feitura de outra pedra.»


Poço cintado a pedra na Cortelha



Pedra de mó dormente
Colocada junto ao poço que se encontra na Cortelha.
Ainda não se encontraram vestígios de época romana na Cortelha, tudo indica que para aí foi trasladada.

  
Esteios em xisto para suporte das terras num trajecto da antiga estrada real em Casal de Maria; por baixo dos sedimentos encontra-se a calçada, na parte superior deste curto trajecto, existia à poucos anos a descoberto um troço em calçada, com a curiosidade de ter um rego no meio para escoamento de todo o tipo de águas; foi destruído aquando da instalação da conduta de saneamento básico. 

  Nora de água na Tabarda

 
Pormenor do poço

Lagareta: agradecemos  a informação da localização.

Outra visão da lagareta.

Fragmentos de tégulas e outra cerâmica de uso caseiro.Segundo a tradição oral, neste lugar nasceu Casal de Maria.
Com esta descoberta, damos razão à tradição.

Noutro local próximo uma retro-escavadora colocou visível vários fragmentos de tégulas; pela distancia acreditamos que se trata de outra habitação. Começamos a acreditar que neste lugar vivia uma comunidade agrícola, pois não muito longe encontra-mos um pequeno fragmento da mesma época.
Estes fragmentos foram por nós amontoados; dentro de pouco tempo o mato cobrirá toda a área, e será mais difícil a sua localização.
Na nossa procura por pedras trabalhadas, encontramos esta, que desconhecemos o seu uso.
Achamos estranho o corte, decidimos a limpeza de um manto de eras que a cobria quase na sua totalidade: primeiramente encontramos uma cova, depois outra, e logo de seguida cavidades na estrutura vertical (imagem); continuamos com a limpeza, e verificamos na parte oposta uma cavidade ao nível do solo; junto à cavidade encontram-se varias pedras soltas, formando um pequeno patamar: neste patamar encontramos fragmentos de vasilhame em barro, cujo interior está pintado de um amarelo ocre.

A parte da pedra que nos intrigou (zona clara), e ainda bem que assim foi, pois posemos a descoberto uma raridade.

A parte oposta da pedra, onde se encontra o patamar: acreditamos que era o local onde se recolhia o liquido, pois os fragmentos estavam nesse local; é possível a existência de mais, mas não quisemos mexer no aglomerado de pedras, que dão um testemunho de uso humano a esta pedra. Seria local onde se esmagavam as azeitonas?

Nesta imagem vê-se melhor as duas pequenas covas na superfície da pedra. 

Uma outra pedra nas proximidades: está rebaixada. Não nos pareceu ser o seu aspecto natural, mas obra humana.
Agora que encontramos parte do conjunto, investigamos e o que encontramos, leva-nos a querer que as duas são parte do mesmo.
Esta tem o nome de pedra dormente, e tudo indica ser de época romana; infelizmente desconhecemos quem a transportou para este local, e qual a sua  origem, mas queremos querer que veio da Tabarda, local com vários vestígios de época romana.
É em arenito, e teria de diâmetro 50 centímetros na parte lisa, o furo côncavo não é centrado, a parte de baixo não foi alisada.


Nesta perspectiva vê-se o furo côncavo; no qual deveria assentar um ferro ou pau, que preso à pedra girante a fazia girar, moendo os cereais.

Nesta, vê-se que o furo não está centrado.

A esta dá-se o nome de pedra girante, é do mesmo tipo de pedra; encontra-se noutro local.
Esta parte do conjunto, acreditamos que não está longe do seu primitivo local de uso.
Teria 30 centímetros de diâmetro pelo calculo que é possível estabelecer.



Fonte ADVIS: Em 27 de Janeiro 1873, Francisco Maia; Idade 32; Estado Civil, Solteiro; residente em  Casal de Maria, requereu passaporte para o Rio de Janeiro. 

Em 5 de Outubro de 1882, José António dos Santos; idade 22; profissão, trabalhador; estado civil, solteiro; residente em Casal de Maria, requereu passaporte para o Império do Brasil.

Fonte Arquivo Histórico Militar: Boletins Individuais de militares do CEP 1914/1918; Celestino Rodrigues da Costa - 2º Sargento; Casal de Maria, Couto do Mosteiro, Santa Comba Dão.










2 comentários:

  1. Fernando Augusto Ferreira Chaves
    nascido em angola vivi atá aos 11 anos em casal de maria, aldeia que acho minha terra

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